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mr. Simples versus José Duarte (V)
09-08-2017
 
mr. Simples versus José Duarte (V)

 
agosto 2017

               
"a ortografia é a mãe de todos os eros"
 JD
 

José Duarte – agosto é mês para férias… onde passa as suas?
 
mr. Simples – o que me preocupa não é o descanso nem o trabalho mas sim o fim deste mundo…
 
JD – ainda não se sabe quando é…

mr. Simples – soube com certeza a notícia que a Terra não chega para nós a partir de um dia deste agosto

JD – para nós os dois deve chegar…

mr. Simples – o sr. Duarte confunde humor barato com realidade esta definitiva

JD – é um disfarce…
 
mr. Simples – com a sua idade é feio confundir chocos com lulas…
 
JD – há 60 disse 60… anos que luto pela aceitação de uma Música sujeita ao racismo e às ‘orelhas quadradas’…

mr. Simples – ou ‘ouvidos quadrados’?
 
JD - sounds better até porque a orelha é o órgão e ouvido é a função…
 
mr. Simples – as palavras são perigosas…
 
JD – conhece Chico? o Buarque da Holanda
 
mr. Simples – nome complicado… cá está… palavras a mais

JD – Chico com fama e proveito positivos compos uma canção onde a certa altura diz: «a coisa aqui está preta»...
 
mr. Simples – um homem simples cumo eu sem ofender o homem que é brasileiro que essa é uma frase racista em português mesmo escrita em brasileiro
 
JD – tal cumo na linguagem popular portuguesa: «pintava a minha cara de preto» ou…
 
mr. Simples – e os bandeirantes e os índios do Brasil pequeno então...
 
JD – está a sugerir falar sobre a obra de Raposo Tavares um português do século 17 nascido no Alentejo região de Beja?
 
mr. Simples – que ilustração...

JD – a cores… mas cumo sou dos poucos que defendem raças isto é antirracista perdemos e perderemos mas perdemos de pé gosto de Quaresma o foot player… agarra 'adversário' pelo pescoço vingando-se da violência dele sobre Ronaldo o Cristianinho ou entrega uma faca dada ao árbitro faca que ‘tirou’ a um espectador que ‘invadiu’ o relvado onde ele e outros jogavam football… assim pra mim Quaresmo é um craque cigano…
 
mr. Simples – desculpe senhor Duarte mas está a dar uma interpretação errada à existência do racismo o racismo não existe…
 
JD – o quê... (arreliado e muito…)
 
mr. Simples – calma oiça antes de se massar…
 
JD – maçar é com c cedilhado…
 
mr. Simples - o racismo tem pouco a ver com cor de pele ou hábitos ou culturas tem isso sim a ver com a exploração… há ‘racismo’ em relação ao trabalho aos trabalhadores… o isolamento é consequência da exploração ou pior explorando se isola quem trabalha…
 
JD – do género: «quem trabalha não come comigo á mesa» … lembrei-me daquele acidente – de percurso – que se deu comigo quando era mais novo mais ingénuo ou provocador?
 
mr. Simples – conte lá senhor José…
 
JD – senhor José é o homem da mercearia…
 
mr. Simples – não... o do jazz…
 
JD – foi na ilha Manhattan que isto se passou comigo em 1966… estava eu e um colega TAP num bar grande e desempoeirado (gosto...) bar em Times Square o Rossio de lá bar com copos e meninas que dançavam num balcão atrás do bar em monoquíni pra um lisboeta do Bairro Alto cumo eu sou uma situação a ver mas não participar pois os clientes encostados ao bar cumo nós... de vez em quando metiam uma nota em dólares no escasso espaço entre o mono e a anca da mulher ainda rapariga que dançava… até que descobri um negro à porta tentando entrar…
 
mr. Simples - quantos negros nesse bar? 
 
JD - no 'Metropole' era o nome do bar que já não existe... nem um negro
 
mr. Simples – racismo
 
JD – dirigi-me ao porteiro que era e deve ser ainda branco e perguntei-lhe porque seria que aquele meu 'amigo' não podia entrar… disse-me para não me meter com ele que cumpria a sua obrigação e ameaçou-me com a polícia

mr. Simples – ameaça…
 
JD – insisti... ele telefonou… segundos depois – cumo só no cinema eu tinha visto – sobe o passeio com o sinal a apitar um carro com 3 polícias fardados todos polícias dos grandes… e a mim se dirigiu o que tinha galões e me disse (comigo já na rua tentando falar com o negro que pretendia ser cliente do bar) quem és tu? eu pensei que cumo é meu hábito não trazia passaporte... sou turista disse
 
mr. Simples – trouble maker devia ter dito…

JD – neste carro vamos dar a volta ao quarterão... se aqui ainda estiveres quando de novo por cá passarmos irás connosco preso… e abalaram à filme com pneus a chiar e velocidade proibida... mas nada disto despertou a atenção nem de quem estava no bar nem dos passantes… disse então para meu colega TAP: se eu não aparecer no hotel na próxima hora previne TAP ou o Consulado

mr. Simples – afinal tudo acabou mal…

JD – nunca fui herói sou guerrilheiro não guerreiro… convidei o negro para irmos a um bar ‘limpo’ e tomar uma cerveja e lá fomos com o negro de novo a perguntar-me quem eu era… tive o cuidado de não lhe dizer que era português… vivia-se a guerra colonial…

mr. Simples – boa história…

JD – mas a história não acaba aqui pois no outro bar com o negro e depois de uma conversa onde ele me perguntou o que quis e eu respondi a tudo até às perguntas sobre as ex-colónias africanas ele… não lhe perguntei o nome… disse comovido:  «gostava amanhã de o apresentar a my queen…» lindote... sorri e fim

mr. Simples – tenho a impressão de que o senhor Duarte não sabe do que gosta mais… se de jazz se da Música negra se dos jazzmen se de bons instrumentistas…

JD - fácil mr. Simples fácil… sou homem de gostos mas não de paixões nunca me apaixonei… só plo jazz por isso não gosto quando de lhe trocam os nomes… em Portugal desde há menos que meia dúzia se anda a concentrar no poder na aventura do que lhe chamam jazz com temporâneo jazz não tem idade... jazz que hoje e amanhã será tocado mesmo aquele que se improvisava nos anos 20 do século que já lá vai… 

mr. Simples – nunca dei por tal senhor Duarte…

JD – nem o senhor que é simples nem a maioria de todos... olhe quer saber quer? em Portalegre no Seixal na Culturgest sem alardes…

mr. Simples – alarves?

JD – não complique mr. Simples… com l… alardes e continuo… uma ‘definição’ que só mente se instala nos concertos jazz neste país… exemplo? chamar ao roque Música improvisada é bestialidade e dupla no substantivo e no adjetivo

mr. Simples – nunca tinha reparado nem disso seria capaz… sabe amigo falta-me ser especialista…

JD – não… então neste exemplo recente… oiça só: chamar - publicidade - ao grupo dos 6 rapazes que tocam o nome do CD que uma editora portuguesa irá publicar ‘Slow is possible’ é im-possível maior descaramento… o não conhecimento da maioria não é nem será para brincar…

mr. Simples – não tem medo das represálias?

JD – não senhor Simples… o hábito cura e medo só tive 'medo' da Pide 'medo' não ... receio... ódio
 


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