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mr. Simples versus José Duarte (III)
11-06-2017
 

mr. Simples v. José Duarte

junho 2017

 

«não percebo tudo o que osso»

 

mr. Simples – há que ter muito cuidado com a demo com a democracia…

José Duarte – estamos de acordo… eu até sou um homem atento o que dá muito trabalho… não acredito na aritmética mas sim na álgebra… seis por serem seis não têm mais razão do que o isolado um…

mr. Simples – mas assim se elegem governos que mal ou bem mais mal que bem se governam e nos governam…

JD – mas… é uma adversativa mas já Hélia Correia escreveu «para que servem os poetas em tempos de indigência?»

mr. Simples – eu sei é frase de sua poesia… de «A terceira miséria» mas a senhora Hélia enganou-se pois a indigência é ultrapassável José

JD – é o que me andam a prometer em Portugal na minha vida inteira na minha e na dos meus antepassados na família de remediados Duarte

mr. Simples – percebe a menina Hélia?

JD – senhora ou menina?

mr. Simples – senhora menina percebe a obra dela?

JD – não mas é por isso é que tenho melhor comprei quase todos os seus livros… sou assim o que é que se há a fazer… só gosto de autores complicados… Agustina Coltrane Llansol até Camilo

mr. Simples – simplesmente…

JD – ai sim? o sr. Simples mente...

mr. Simples – é o advérbio de modo que melhor serve a confusão… simplesmente uma palavra

JD – é verdade feliz mente ou outro qualquer não serve

mr. Simples – felizmente

JD – está-me a fazer falta o estrangeiro…

mr. Simples – o estrangeiro de Camus Albert Camus?

JD – prefiro Vian Boris Vian e seu poema «Le desérteur» que cantou o que nas décadas de opressão política e cultural em Portugal era proibida ouvir ter falar mas era popular entre quem resistia…

mr. Simples – era um homem do jazz…

JD – e da escrita… um inventor… em seu livro ‘Lécume des jours’ inventou o pianococktail... *

mr. Simples – e cumo funciona? sobe à cabeça?

JD – é tão perfeito tão perfeito… que até ao prova-lo se pode dizer quem o tocou

mr. Simples – então será assim: se for eu a preparar saberá a Simples e for o senhor saberá a Duarte… é?

JD – o senhor Simples já leu este livro de Vian? não mas já está aí registado assim espero… eu agora ando a ler ‘The imperfect art’ livro que parece até não ter sido escrito por um n-a tal o que faz pensar e saber… seu autor é Ted Gioia… é sobre Música

mr. Simples – qual delas?

JD – jazz

mr. Simples – um amigo meu…

JD – …ou é o senhor Simples que é dele amigo?

mr. Simples – contou-me uma história que tem a ver com as idas dele ao wc…

JD – quem é que lá está?

mr. Simples – são crianças duma escola que é vizinha de meu amigo… e meu amigo vive lá desde 1964

JD – então ele ouve as crianças…

mr. Simples – não… ouviu as crianças e agora das duas uma… as crianças cresceram e saíram da escola já não se ouve elas rir ou gritar ou falar sequer

JD – eventualmente

mr. Simples – outro de modo…

JD – foram-se embora do bairro ou da escola ou deste mundo…

mr. Simples – a história impressiona-me… é conhecer sem alguma vez ter visto…

JD – memória auditiva… vou-me embora… jazz faz tarde… não quero sonhar com vozes

mr. Simples – boa noite Zé Duarte

 

  • Prendras-tu un apéritif ? demanda Colin. Mon pianocktail est achevé, tu pourrais l’essayer.
    – Il marche ? demanda Chick.
    – Parfaitement. J’ai eu du mal à le mettre au point, mais le résultat dépasse mes espérances. J’ai obtenu, à partir, de la Black and Tan Fantasy, un mélange vraiment ahurissant.
    – Quel est ton principe ? demanda Chick.
    – A chaque note, dit Colin, je fais correspondre un alcool, une liqueur ou un aromate. La pédale forte correspond à l’œuf battu et la pédale faible à la glace. Pour l’eau de Selbtz, il faut un trille dans le registre aigu. Les quantités sont en raison directe de la durée : à la quadruple croche équivaut le seizième d’unité, à la noire l’unité, à la ronde le quadruple unité. Lorsque l’on joue un air lent, un système de registre est mis en action, de façon que la dose ne soit pas augmentée – ce qui donnerait un cocktail trop abondant – mais la teneur en alcool. Et, suivant la durée de l’air, on peut, si l’on veut, faire varier la valeur de l’unité, la réduisant, par exemple au centième, pour pouvoir obtenir une boisson tenant compte de toutes les harmonies au moyen d’un réglage latéral.
    – C’est compliqué, dit Chick.
    – Le tout est commandé par des contacts électriques et des relais. Je ne te donne pas de détails, tu connais ça. Et d’ailleurs, en plus, le piano fonctionne réellement.
    – C’est merveilleux dit Chick.
    – Il n’y a qu’une chose gênante, dit Colin, c’est la pédale forte pour l’œuf battu. J’ai dû mettre un système d’enclenchement spécial, parce que lorsqu’on joue un morceau trop « hot », il tombe des morceaux d’omelettes dans le cocktail, et c’est dur à avaler. Je modifierai ça. Actuellement, il suffit de faire attention. Pour la crème fraîche, c’est le sol grave.
    – Je vais m’en faire un sur Loveless Love, dit Chick. Ça va être terrible.
    -Il est encore dans le débarras dont je me suis fait un atelier, dit Colin, parce que les plaques de protection ne sont pas vissées. Viens, on va y aller. Je le règlerai pour deux cocktails de vingt centilitres environ, pour commencer.

Chick se mit au piano. A la fin de l’air, une partie du panneau de devant se rabattit d’un coup sec et une rangée de verres apparut. Deux d’entre eux étaient pleins à ras bord d’une mixture appétissante.
– J’ai eu peur, dit Colin. Un moment, tu as fait une fausse note. Heureusement, c’était dans l’harmonie.
– Ça tient compte de l’harmonie ? dit Chick.
– Pas pour tout, dit Colin. Ce serait trop compliqué. Il y a quelques servitudes seulement. Bois et viens à table. »

Lapa 11 junho 2017 21h49

joseduarte@ua.pt

 

 

 

 

 
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