jazzportugal.ua.pt
HOME CONTACTOS BUSCA SUBSCRIÇÃO
 
agenda
media
escritos e entrevistas
músicos
jazzlinks
  escritos  ::  entrevistas  ::  trabalhos alunos UA  ::  e mail e fax  ::  riff  ::  Jazz de A a ZZ

escritos e entrevistas > lista de escritos > ver artigo
e César disse...
21-05-2018
 

 César disse…

 

José Duarte – minhas filhas que são duas começaram a estudar Música porque seu Pai é da Música… o mesmo aconteceu consigo?

César Cardoso – Não, eu e o meu irmão mais velho somos a primeira geração de músicos na família.

JD – estudou Música em Boston USA na Berklee School? Escola de Música onde hoje em dia muitos candidatos portugueses a frequentam

CC – Não. Estudei na escola do Hot Clube de Portugal e depois na Escola Superior de Música de Lisboa.

JD – acho errado o adjetivo jazz a uma Escola de Música pois jazz não se ensina Música sim– comentário

CC – A meu ver o Jazz ensina-se. Dou aulas e vejo o quão necessário é ter um professor que ajude os alunos a encurtar distancias e procurar caminhos. O ensino oficial de jazz em Portugal veio aumentar o nível dos estudantes e futuros músicos. Sem dúvida que o Jazz ensina-se e aprende-se.

JD – sei uma história melhor sei outra história sobre ‘saber’ jazz e ‘saber’ improvisar… José Magalhães trompetista no final dos anos 50 foi escolhido no clube ‘Maxime’ em Lisboa cumo o músico para ir representar Portugal integrado numa big band com instrumentistas não n-a mas europeus e tocarem no Newport o festival jazz em 1958… sua participação foi muito falada e popular por saber ler pautas à primeira sem leitura prévia… foi o melhor mas… não fez um solo não ‘se dava bem a improvisar’… não sabia assim não era nem foi jazzman dacordo? tenho o disco…

CC – Antigamente isso acontecia muito, mesmo na big band do Hot Clube e outras, tinham músicos clássicos que sabiam ler e completavam os naipes onde músicos de jazz eram escassos. Hoje em dia isso ainda acontece, até porque não é fácil por exemplo encontrar 4 trombonistas de jazz que improvisem, mas começa a ser mais fácil de ter uma big band só com músicos de jazz e que improvisem.

JD – vive a tocar saxofone melhor se o que ganha em euros a tocar jazz lhe dá para viver? é muito escolhido? quanto pagam? e no Hot?

CC – Vivo a tocar saxofone e a dar aulas.

JD – entre os saxofones porquê o tenor? ando a ouvir o saxofonista n-a Frankie Trumbauer que tinha um tipo de saxofone que soava entre o alto e o tenor? um C melody já não se usa ou existe? conhece a discografia deste jazzman? Lester disse que foi muito influenciado pela sonoridade de Frankie… está nos livros e nas discografias…

CC – Comecei por estudar saxofone alto no conservatório, mas quando mudei para o jazz ouvia mais tenores e mudei por me identificar mais com o registo e timbre do tenor. Conheço algumas coisas do Frankie também porque um saxofonista que tocava dixieland e quando comecei a tocar com a minha banda ouvi muita coisa dele.

JD – ouve jazz antigo? porquê?

CC – Eu oiço todo o jazz, antigo e moderno. Gosto de ir mudando de músicos e de épocas, quando se volta a ouvir, ouvimos de maneira diferente.

JD – vai a concertos cumo espectador? aprende-se a ouver outros… é minha esta opinião

CC – Sim, sempre que posso vou a concertos. Gosto de ver e ouvir outros músicos, e sem dúvida que aprendemos a ver concerto, ser músico de jazz é um processo longo para a vida toda e estamos sempre a aprender.

JD – escreveu um livro há 2 anos sobre ‘Teoria do Jazz’ e outro este ano seus livros têm procura? quem o compra ouvintes ou músicos?

CC – Sim, tem tido grande sucesso, a procura superou a estimativa inicial mas também porque não havia nada, e não sabia como iriam reagir as pessoas a um livro teórico, mas a reação foi e continua a ser muito positiva. O livro está feito para todos, ouvintes e músicos e tem sido um pouco dos dois universos.

JD – cumo acha o conhecimento jazz em Portugal? em festivais na Rádio em concertos na TV em livros portugueses e estrangeiros…  o público – não o jornal diário ‘Público’ – sabe ouvir jazz?

CC – Penso que o Jazz em Portugal tem evoluído muito, desde público a músicos, escolas, discos, livros. O público começa a saber ouvir jazz, mas ainda assim há muitos que não conseguem também porque por vezes é jazz difícil de se ouvir e compreender e isso afasta o público mesmo habituado a este estilo de música.

JD – a sua discografia começa quando? cite-a na totalidade pf

CC – Discografia & Bibliografia:

CDs Líder:

 

- 2010 – “Half Step” – César Cardoso (ed. Autor)

- 2015 – “Bottom Shelf” – César Cardoso (ed. Autor)

- 2016 –  Livro “Teoria do Jazz” – Chiado Editora (1º livro em Português sobre o tema)

- 2018 – “Interchange” – César Cardoso (ed. Autor – Antena 2)

- 2018 –  Livro “Teoria do Jazz – Exercícios” – Chiado Editora

 

CDs Sideman:

 

- 2007 – “Kick’n Blow” – Desbundixie (ed. Autor)

- 2009 – “Up 2 Nine” – Desbundixie + Maria João & Filipe Melo (ed. Autor)

- 2012 –  “Palavra de Mulher” – Sofia Vitória/Luís Figueiredo (Numéria)

- 2013 –  Bruno Santos Ensemble (Toap)

- 2014 – “Lu-Pu-i-Pi-Sa-Pa” - Luísa Sobral (Universal)

- 2015 – “Soul Dance” – Cláudia Franco

- 2017 – “A Dança dos Pássaros” – Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal (HCP)

 

JD – que tal lhe parece o desenvolvimento - para mim surpreendente – das big band jazz em Portugal? há muitas entre elas a de Leiria que está entre as menos conhecidas… a que prefiro é a L.U.M.E.

CC – Tem aparecido muitas big band fruto do desenvolvimento de novos estudantes e músicos em todo o país o que leva a aparecer big band em vários pontos do país fora dos grandes centros como o caso da Orquestra Jazz de Leiria.

JD – qual a sua opinião sobre o disco ex - LP hoje CD ‘The Atomic mr. Basie’ com arranjos e composições em 11 faixas - não conheço o de 16 - de Neal Hefti gravado no século passado… assim soa a antigo… em 1956?...

CC – É um disco referência das big bands. Neal Helti foi sem dúvida um dos grandes compositores/arranjadores deste tipo de formação.

JD – a propósito do blindfold test em que irá gentilmente colaborar na ‘AJA - Associação José Afonso’ em 18 junho às 18h em Lisboa lembro que certo dia realizei outro blind com a colaboração de Pinho Vargas pianista e compositor e ele em 6 só acertou em 1 isto é ‘adivinhou’ que aquele que estava gravado era John Taylor pianista da Grã Bretanha... e perante meu pasmo pela autentica lição de cumo ouvir jazz me disse ‘foi meu prof 5 anos na Inglaterra’ conhece Taylor?

CC – Sim conheço, e até já estive com eles há alguns anos no Festival de Jazz de Vigo. Ouço muito os discos em que ele colabora com o Kenny Wheeler.

JD – e dixie… porque gosta de o tocar espero com o mesmo à vontade cumo quando toca Monk?

CC – Eu gosto tanto de dixieland como de música moderna. São estilos diferentes e com características diferentes mas continuo a tocar os dois estilos regularmente.

JD – um licenciado em jazz () ainda aprende a ouvir ou ouver tenores?

CC – Qualquer músico aprende a ouvir outro músicos, sejam eles do mesmo instrumento sejam eles de outros instrumentos. Não ouço apenas tenores.

JD – faz falta ou não faz aos jazzmen portugueses ir ao estrangeiro ouver jazz? pergunto porque por cá só se ouvem uns aos outros… ir a Manhattan ao clube jazz ‘Village Vanguard’ ou a Paris ao ‘New Morning’…

CC – Hoje em dia com as novas tecnologias podemos “ouver” os melhores músicos sem sair de casa. Felizmente hoje em dia passam muitos músicos estrangeiros por Portugal que nos dá a possibilidade de os ouvir.

JD – ouve Dave Douglas? porquê ou para quê?

CC – Já ouvi pontualmente, não é um músico que ouça regularmente, mas já ouvi algumas coisas dele em dixieland. É um músico versátil e também toca tanto o jazz antigo como o moderno.

JD – com pouco mais de 30 anos didade já é prof em jazz ensina cumo se toca não é… porque o que será ‘ensinar jazz’? jazzman ou se é ou se não é vírgula porque tocar bem nunca se sabe quando pode acontecer reticências assim… agradecemos seu comentário

CC – Já dou aulas há 10 anos e continuo a achar que jazz ensina-se, o meu papel enquanto professor é encaminhar os alunos a descobrir músicos, correntes estéticas e a desenvolver o seu conhecimento linguístico no jazz. Quem começa a estudar jazz, sobretudo começando do zero, não tem conhecimento do que fazer e como fazer e sem dúvida que nós professores/músicos temos esse papel importante.

JD – é verdade que um jazzman toca primeiro para si depois para os companheiros que estão a tocar com ele só depois para quem sentado os ouvê?

CC – Eu não concordo com isso. Pelo menos eu não faço isso. Quando toco, penso em grupo, tocar em grupo e não individualmente, e vejo os meus concertos como um espetáculo, para o público.  

JD – aprendi – sou do tempo antigo em que profs jazz não existiam nem discos nem festivais nem… músicos nem jazz nem Liberdade – aprendi a gostar de jazz comigo ouvindo mas muuuuuito… e repetindo e memorizando… hoje gosto muito de ouver Camille Bertault em scat para solos de Trane em ‘Giant Steps’ ou ‘Blue Train’ o progresso desmente todos pois há anos dizia que scat até Getz sei seu solo em ‘Time After Time’ e são minutos e AINDA dizia que com Trane era impossível… merci Camille... dacordo?

CC – Os tempos são outros, hoje em dia há muito músicos, escolas, discos, festivais, etc. As coisas evoluíram muito e hoje há muito mais informação, mas sem dúvida que ouvir e ver muitos discos e concertos só ajuda a evoluir e a compreender o jazz.

JD – gosta de improvisar em standards? ensaia os seus improvisos?

CC – Gosto de improvisar em standards e música moderna. Não diria ensaiar os improvisos. Pratico saxofone de modo a ter um background que me leve a em tempo real improvisar no seu verdadeiro sentido da palavra, sem nada pré concebido ou estabelecido. Gosto muito da orgânica natural e imprevisibilidade na música.

JD – já lhe aconteceu tocar ‘pior’ e achar que as palmas estão a mais? e um solo improvisado que sai bem e o bem não ser reconhecido pelo público?

CC – Isso acontece, mas por vezes pode ser porque o público que está a assistir não compreende bem o que acontece e nem o momento para bater palmas, público que não está familiarizado com isso.

JD - a nota errada vale? se vale em jazz

CC – Como diria o Miles, não há notas erradas, há má escolhas. Mas para mim a intensão é não haver notas erradas, mas o improviso pode levar a isso acontecer. Mas mesmo assim pode haver sempre uma maneira de resolver essa nota de modo a torna-la válida.

JD – reúna piano cbaixo e bateria para consigo tocar… na sua escolha valem todos de cá ou não…

CC – Brad Mehldau, Ron Carter e Tony Williams.

JD – obrigado CC e até já zz

 

joseduarte@ua.pt

14 maio 2018

 

JD
 
  Escritos e entrevistas  
 
   
Clubes  
Hot Five Jazz & Blues Club
 
   
Concertos  
 
   
Festivais  
 
   
Universidade de Aveiro
© 2006 UA | Desenvolvido por CEMED
 VEJA TAMBÉM... 
 José Duarte - Dados Biográficos