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e Formoso disse…
15-01-2018
 

José Duarte – nasceu na Corunha em 86 e que tal se dá com o Porto jazz? e em particular melhor o Porta Jazz?

Ricardo Formoso – Muito bem, sempre fui muito bem recebido por todos e a mudança para esta cidade possibilitou que desfrutasse de oportunidades fantásticas para a minha carreira.
Em 2009, o meu primeiro contacto com a atividade musical da cidade foi através da Esmae. Consegui ter uma visão geral do circuito nacional, das formações, músicos e pedagogos de referência. A experiência nesta escola foi renovadora e estimulante, sem dúvida foi um ponto de inflexão na minha carreira académica.
A nível profissional, desde 2010 colaboro regularmente com a Orquestra Jazz de Matosinhos. Esta oportunidade permite-me trabalhar com o grupo de músicos pelos quais tenho um grande respeito e admiração, ademais de ser todo um desafio pela especificidade do trabalho e a variedade artística do projeto.
Em 2010 também nasce uma associação… a Porta Jazz, com a sua banda “estreia” … o Coreto. Desde a criação destas duas comunidades gravamos 4 discos com este large ensemble. Refiro-me ao Coreto como comunidade porque não só tocamos e gravamos música original de membros da banda, ademais, a formação serve como plataforma para outros autores que querem escrever para este formato (álbum “Sem chão” Coreto Porta Jazz). Quanto à associação, a Porta Jazz têm trabalhado incansavelmente para oferecer uma proposta artística de grande valor para o país e serve como espaço para a consolidação de muitos projetos. 

JD – trazia experiência jazz de La Corunha cidade ao norte da Galiza onde nasceu?
RF – Comecei a estudar música com 9 anos no Conservatório Profissional de Música de A Corunha e até 2006 a minha formação foi inteiramente clássica, apesar de colaborar frequentemente com Big Bands, mas principalmente num contexto académico.
Entre 2006 e 2009 comecei os estudos superiores na variante de Jazz, também na cidade de A Corunha, e posteriormente decidi continuar a minha formação na Esmae. Durante esta etapa anterior à minha chegada a Portugal, tive a oportunidade de colaborar em diferentes projetos com os que comecei a conhecer os diferentes circuitos (salas de concerto e festivais) da comunidade, principalmente nas províncias de A Corunha e Pontevedra. Um dos primeiros festivais de Jazz em que participei foi o “Imaxina Sons” de Vigo e uma sala de concerto à qual estou profundamente agradecido pelas oportunidades que me brindou foi o “Manteca Jazz”, também na cidade de Vigo.

JD – quem são so trompetistas que mais o impressionam? europeus e norte-americanos?
RF – Os trompetistas que ouço com mais frequência são: Wynton Marsalis, Sean Jones, Avishai Cohen, Roy Hargrove, Ambrose Akinmusire, Jason Palmer, e especialmente Alex Sipiagin.  

JD – aprendeu Música?
RF – Comecei com 9 anos a estudar música clássica no conservatório, tocando também em banda de sopros e outras formações de música de câmara. A partir da licenciatura comecei a minha formação na variante de Jazz.

JD – jazz aprende-se ou é uma característica que se pode desenvolver?
RF – Considero que é fundamental ter um conhecimento musical sólido da cultura clássica europeia e um bom domínio técnico do instrumento. Com este ponto de partida estaremos capacitados para assimilar qualquer género ou estilo musical. Em qualquer contexto musical a audição, transcrição e imitação constituem o principal caminho para a consolidação dos nossos conhecimentos e desenvolvimento da nossa linguagem e autonomia. Também acho relevante ter uma perspectiva histórica, não só através do repertório em questão, senão também através do contexto social e político em que esse repertório foi criado, sem dúvida isto pode mudar a “forma” em como ouvimos a música, ou o músico.      

JD – free jazz tem 60 anos ainda hoje um estilo polémico a sua opinião sobre free

RF – Acho magnífico o poder de decisão do músico, a comunhão entre os músicos e a conexão com o público. Sem dúvida um estilo que não deixa indiferente a ninguém. Pessoalmente acho que a comunicação com a banda e a flexibilidade na interação são experiências muito presentes neste tipo de abordagem e necessárias para a renovação da nossa linguagem e interpretação.

JD – jazz free é uma distinção errada pois todo o jazz é Música free livre em liberdade de improviso – concorda?
RF – Se bem que a improvisação e o espaço para o discurso individual do músico são características fundamentais no Jazz, há também uma coexistência com a música escrita, e nalguns estilos mais tradicionais a variação como base de ornamentação e diálogo. Também, a “liberdade” na improvisação por vezes está condicionada pelo estilo e características inerentes ao mesmo e a formação (por exemplo Big Band), de forma a enquadrar a nossa interpretação e criação. No caso do Free Jazz, da mesma forma que aconteceu em outras manifestações artísticas, a liberdade não só representou a livre criação, ao mesmo tempo reforçava uma reivindicação social-política.   

JD – toca melhor improvisa?
RF – Procuro ter uma prática regular nos dois âmbitos. É fundamental trabalhar o som e articulação do mesmo, há muitas situações de música de conjunto em que a capacidade de te moldar ou liderar um naipe é o principal. A prática da improvisação é um trabalho constante, de assimilação, conexão com a música e o instrumento, procura, atualização e renovação.

JD – sobre standards ou temas jazz?
RF – Desde a compreensão das formas mais tradicionais até repertório mais moderno e repertório original.

JD – em que salas tocou em Portugal? com quem?
RF – Tive a oportunidade de tocar na Casa da Música, na Black Box de Guimarães, no Palco 1º Maio Festa do Avante, Teatro Diogo Bernardes em Ponte Lima, Teatro Municipal de Bragança, Teatro São Luiz em Lisboa, Teatro Rivoli no Porto, Sala Porta Jazz, Centro Cultural de Joane “Jazz na Caixa”, Salão Brasil, Quebra Jazz, Centro de Artes de Sines, Hot Five Porto, Museu de Angra do Heroísmo Açores, Jazz ao Largo Barcelos, “Why not Jazz” Braga, Cine Theatro Circo de Braga, Festival Esmae “Rampa Jazz”, Museu Nacional Grão Vasco em Viseu, Auditório do Conservatório do Porto, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra, Teatro Helena Sá e Costa Esmae, Cine-Teatro Constantino Nery Matosinhos, Jazz no Parque Central da Maia, Noites Azuladas em Castelo Branco, Teatro de Vila Real, Noite Branca de Braga… Toco regularmente com a Orquestra Jazz de Matosinhos, Coreto Porta Jazz, Quinteto e Sexteto de Mário Santos, João Mortágua Mirrors, e desde 2015 com o meu quarteto Ricardo Formoso “Origens”.   
JD – porque nunca tocou no Hot Clube (de Portugal)?
RF – As vezes que estive a tocar em Lisboa nunca foi com formação pequena, estive ou com a OJM ou com o Coreto. Não é por falta de vontade Gostaria muito de levar o quarteto.
JD – nos seus contatos com o público português jazz que tal lhe pareceram seus ouvintes espetadores? com conhecimentos jazz?
RF – Sinceramente sempre fiquei com uma boa sensação quanto a reação e empatia do público desde que estou cá.
JD – cumo é o jazz ao norte de Portugal na Galiza? e na Corunha?
RF – A verdade é que estou bastante desconectado do circuito da Galiza. No entanto, existe uma comunidade de músicos de Jazz muito forte nas províncias de Pontevedra e a Corunha. Curiosamente toco com pessoal da Galiza mais em Portugal do que lá.
JD – os solos jazz gravados que memorizou? os seus ‘melhores’?
RF – Art Farmer “Days of wine and roses”, Freddie Hubbard “Birdlike”, Clifford Brown “Stompin´at the Savoy”, Alex Sipiagin “Obsequious” e “Cassandranite”.
JD – é um ouvinte jazz? atualizado?
RF – Tento estar o mais atualizado possível, tanto no panorama nacional como internacional, mas é todo um desafio Existe uma variedade enorme de projetos muito interessantes e de muita qualidade.
JD – com quem gostaria de tocar gravando? valem todos mesmo os norte-americanos…
RF – Evidentemente gosto de todos os músicos que formam parte das bandas dos trompetistas que falei anteriormente, mas também sou um pouco conservador quanto à concretização de um projeto. Digo conservador porque gosto do conceito de “banda” como formação regular. É tentador gravar com que tu idealizas, mas para mim tem mais valor a continuidade e consolidação de um grupo.
JD – conhece as big bands jazz portuguesas? qual a sua preferida? porquê?
RF – A verdade é que só tive oportunidade de ouvir duas vezes a LUME, a primeira no Festival “Imaxina Sons” em Vigo e a segunda no Teatro São Luiz. Trabalhar regularmente com a OJM permitiu-me não só melhorar quanto músico, senão também partilhar palco com grandes músicos como Kurt Rosenwinkel, Mark Turner, Chris Cheek, entre outros, e ter a oportunidade de desfrutar de uma proposta artística exigente e variada.
JD – e a L.U.M.E. (Lisbon Underground Music Orchestra) que tal?
RF – Gostei das duas vezes que vi a orquestra ao vivo. Principalmente gostaria de destacar os músicos João Moreira, Gonçalo Marques e Ricardo Toscano.
JD – já tocou em Madrid e Barcelona? e Ourense terra de minha Avó materna?
RF- Em Madrid ainda não. Em Barcelona no Festival Woll Damm com a OJM. Em Ourense toquei no ano passado no café Latino, gostei muito da sala e do público Então há raízes galaicas? “Origens”? Hahahahaha 
JD – quantos euros ganha cada vez que toca num grupo ou grande orquestra? vive da Música?
RF – Sim, vivo da música. Sou professor no Departamento de Jazz do Curso Profissional Instrumentista de Jazz do Conservatório de Música de Coimbra desde 2011. Compagino a minha carreira docente com a carreira artística. Quanto os euros que pagam por concerto … Sinceramente, para mim têm mais peso a qualidade artística e o desafio pessoal que envolve o projeto em que participo do que o cachet. Acho que acaba por ser uma realidade com a que todos nós lidamos: Quem paga as horas de ensaio da banda? As deslocações dos músicos para ensaiar/tocar? O aluguer da sala de ensaio? Se fosse-mos analisar o cachet perante estas circunstâncias … não tocava-mos.
JD – o jazz contemporâneo tem swing tem balanço? e Formoso?
RF – A diversificação de estilos no Jazz, a fusão com outros géneros musicais e a influência tanto da música improvisada como da música contemporânea escrita, sem dúvida levam ao Jazz mais por outros caminhos, mas não por isso deixa de ter “balanço” e conservar a sua essência. Até porque o Jazz nasce e evolui como um género musical que integra a diversidade de influências e tradições. 
JD - toca outras Músicas que não seja jazz? porquê?
RF – Sim. É sempre interessante participar em projetos variados. Obrigam-nos a nos adaptar às suas características e também é uma forma ótima de renovar a nossa capacidade interpretativa e criativa.
JD – acha que a voz é um ‘instrumento’?
RF – Sim, de facto, é importante para qualquer instrumentista de sopro perceber o funcionamento da mesma. Ademais, concretamente no Jazz, todos os instrumentos desenvolveram a sua linguagem também influenciados pela voz. É um instrumento em que existem muitas possibilidades tímbricas, efeitos, planos interpretativos, declamação …
JD – e a sua discografia?
RF –
- Coreto Porta Jazz – Aljamia (2012).
- Trumpet Mates Gang & Friends – Modal Suite for Trumpet (2013).
- OJM – Jazz Composers Forum (2013).
- Coreto Porta Jazz – Mergulho (2014).
- Coreto Porta Jazz – Sem chão (2015).
- Marcel Pascual Sexteto – Portanto (2015).
- Duoleiro & Coimbra Jazz Ensemble (2015).
- João Mortágua – Mirrors_Guimarães Jazz / Porta Jazz (2016).
- Coreto Porta Jazz – Analog (2017).
- Ricardo Formoso – Origens (2017).
JD – obrigado Ricardo Formoso e keep playing...

 

joseduarte@ua.pt
Lapa 14 janeiro 18

José Duarte
 
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