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António Silva toca guitarra jazz e disse...
08-07-2017
 

José Duarte – o que é ou foi a ‘Associação Cultural Sítio de Sons’ onde estudou jazz? que idade tinha?

António Silva – Antes de existir a Associação Cultural Sítio de Sons, surgiu um curso de Jazz que decorria na altura no Instituto Português da Juventude, organizado pelo professor de guitarra João Paulo. Tinha eu cerca de 20 anos (já com 4 anos a aprender) quando decidi ingressar neste curso, que para além de aulas individuais de guitarra me permitiu ter aulas de improvisação e ensemble o que foi essencial para a minha formação e para começar a tocar com outros músicos. Mais tarde e já com muitos alunos, este curso pioneiro em Coimbra mudou de local e tornou-se a Associação Cultural Sítio de Sons e foi muito importante para a minha formação e também o primeiro sítio onde dei aulas.

JD – também não fui capaz de estudar Economia culpa de Ray Charles que tocou pela primeira vez na Europa em 61 e eu lá fui e António que é que o atraiu no jazz como Música? a Improvisação?

AS – Foi mesmo a improvisação A minha atração pela guitarra deveu-se muito a solos que ouvia em música rock e pop. No Jazz encontrei música que dava uma liberdade aos seus interpretes para explorar este lado da música que eu tanto gostava.

JD – estudou jazz em Coimbra e Lisboa onde e com quem em Lisboa?

AS – Em 2009 fui aceite na Licenciatura em Música, variante Jazz, da Escola Superior de Música de Lisboa. Em três anos terminei o curso onde pude estudar com os melhores e mais conceituados músicos de Portugal, como por exemplo: Brunos Santos, Afonso Pais, Pedro Moreira, João Moreira, Lars Arens, Nelson Cascais, entre outros.

JD – frequentou o ‘Centro Internacional de Música e Dança do Mundo Ibérico’ em Serpa que se faz ou fazia nesse Centro?

AS – No Musibéria, em 2013, já após ter terminado a minha licenciatura, surgiram as primeiras residências artísticas internacionais. Para participar era necessário um projeto ligado às artes e se fosse um dos escolhidos ficaria a residir em Serpa durante 7 meses, com alojamentos e condições para desenvolver o meu trabalho. Decidi então que era uma boa oportunidade para a gravação do meu primeiro CD (até porque o Musibéria tem um estúdio onde poderia gravar). Fui um dos artistas selecionados, trabalhei nos temas que queria gravar, escolhi o grupo que iria gravar comigo e graças a esta residência surgiu o meu primeiro álbum e o meu grupo Ararur.

JD – fale-nos de seu grupo jazz (?) ‘Ararur’ de seus músicos e atividades e porque é que o grupo (quantos músicos em quais instrumentos?) se chama ‘Ararur’? funny name…

AS – O grupo Ararur é um quinteto que conta com Ângela Maria na voz e letras, António Silva na guitarra e composições, João Capinha nos saxofones, Francisco Brito no Contrabaixo e João Rijo na bateria. Todos nós fomos colegas na Escola Superior de Música de Lisboa onde nos conhecemos e foi a estes músicos que enderecei o convite para formar este grupo. Quando estava em Serpa andava a pensar no nome que devia ter este grupo, deve ter passado muito tempo sem que um bom nome me surgisse. Até que um dia, já estava eu deitado pronto para dormir quando me surgiu o nome Ararur. É um nome inventado que não sei de onde vem, mas quando apareceu tive de me levantar e apontar. Sei que algumas pessoas têm dificuldade ao inicio com este nome mas com tempo acho que toda a gente acaba por gostar. Já estamos ativos desde 2013 quando gravámos o nosso primeiro álbum “Ararur”. Recentemente gravámos o álbum “Mielikki” e espero que este grupo seja para durar e que tenha uma longa discografia.

JD – quando CDs jazz gravou melhor fale-nos de sua discografia

AS – Até agora gravei 3 Cds. Dois deles com o grupo Ararur e um outro em nome próprio: António Silva Quartet - “Up Lift”. Este último CD que sairá em Setembro foi gravado na Dinamarca e conta com a saxofonista Irlandesa Carolyn Goodwin, Frederik Hagner no contrabaixo e Tobias Andreassen na bateria. Também tive o prazer de contar com a participação de dois dos meus músicos favoritos: o pianista Americano Aaron Goldberg e o contrabaixista Dinamarquês Jesper Bodilsen.

JD – e cumo decidiu a entrada da voz na sua Música? a sua e a dos outros e das outras

AS – Acho que os temas que escrevo podem ser ouvidos como canções, geralmente com melodias e ficam no ouvido e que parecem ter surgido pela voz de forma natural. Pedi à Ângela para tentar fazer umas letras para os meus temas, algo que ela fez muito bem e em Português o que tornou a minha música ainda mais única e especial. No CD “Up Lift” decidi cantar em alguns temas e como era uma experiência internacional escrevi umas letras em inglês, isto também porque a Carolyn Goodwin também canta e assim poderíamos fazer algo em conjunto.

JD – teve tem têm sucesso e premiado?

AS – O meu primeiro álbum “Ararur” começou por ser distinguido pelo Clube Português de Artes e Ideias que me distinguiu a mim e à Ângela Maria como jovens criadores de 2013. Com esta distinção fomos ao Brasil representar Portugal e demos dois espetáculos em Salvador da Bahia. Depois, em 2014, este álbum foi considerado melhor álbum de Jazz Vocal nos Independent Music Awards. Ao mesmo tempo o que o jurí distinguiu este álbum, o público, votantes de todo o mundo, escolheram o álbum como melhor álbum de Jazz Vocal e a música “Ela” como melhor música também na categoria de Jazz Vocal.

JD- tem trabalhado e aprendido Música noutros países? quais

AS – De 2014 a 2016 tive a oportunidade de fazer o mestrado internacional NOMAZZ (Nordic Masters in Jazz). Fui um de 4 músicos escolhidos para este mestrado conjunto entre três instituições: Sibelius Academy, em Helsínquia, Royal College of Music, Estocolmo e Royal Academy of Music em Aarhus, Dinamarca. Assim passei dois anos no estrangeiro a viver e estudar.

JD – fora de Portugal a tocar e a viver conhece bem a vida jazz em Portugal? quais músicos portugueses prefere? porquê?

AS – Julgo que conheço os músicos mais consagrados, hoje em dia têm surgido tantos músicos e com tanta qualidade que já não me atrevo a dizer que conheço bem o Jazz em Portugal. Mas Carlos Bica e João Paulo Esteves da Silva talvez sejam dois dos músicos que mais aprecio, isto porque a música que fazem tem uma personalidade muito forte e própria que é o que me atrai sempre mais na música em geral.

JD – porque escolheu a guitarra o instrumento que muitos usam mal e algumas preferem?

AS – Por volta dos meus 15 anos, um vizinho meu e meu amigo desde sempre começou a aprender guitarra. Não me lembro bem qual a razão porque também decidi aprender guitarra, julgo que foi para formarmos um grupo e tocarmos juntos. Só sei que desde que comecei rapidamente apanhei o gosto e a partir daí nunca mais parei.

JD – conte-nos suas experiências e atividade nos países europeus escandinavos? é uma grande área onde o jazz se sente bem?

AS – A cultura e estilo de vida destes países é bastante diferente dos restantes países e isso nota-se no jazz também. Algo que gostei de perceber é que há uma procura pelos ensinamentos e aprendizagem do jazz mais tradicional e das suas origens, mas depois desta busca não há a tentativa de copiar esta música, mas sim fazer algo de original e próprio destes países. A noção de espaço e tempo decorrente das condições climatéricas destes países leva a que estes músicos consigam fazer música e jazz com ambientes mais melancólicos e mais introspetivos. Foi muito bom viver neste ambiente. Para além disto, estes países têm um maior investimento na cultura, o que dá mais liberdade aos seus intervenientes para fazerem o que gostam.

JD – e em Portugal? eu que em janeiro próximo andarei há 60 anos 60 a divulgar jazz verifico que a aceitação do jazz em Portugal ainda é traiçoeira e reduzida… a sua opinião é a mesma?

AS – Sim. Mas creio que é o mesmo em todos os países e até em todos os sectores culturais. Julgo que em Portugal recentemente surgiram muitas escolas de música com a aprendizagem do jazz que trouxeram mais público (especialmente jovem) para este sector. Cabe-nos a nós irmos fazendo o nosso trabalho.

JD – toca pouco em Portugal eu nunca o vi tocar só o ouvi… que idade tem?

AS – Tenho 33 anos. Comecei tarde a tocar e fui prosseguindo os meus estudos em economia antes de desistir e seguir a carreira de Música. Já fiz vários concertos em Portugal, mas a minha ida para o estrangeiro não muito depois de gravar o meu primeiro CD levou a que não houvesse muita continuidade de concertos.

JD – se se confirmar lá estarei no Café Tati em Lisboa traseira do Mercado da Ribeira em 4 outubro… se for vivo…  faltam 3 meses a chamada ‘marcação à distância’…  já tocaram na ‘Casa’ no Porto nos concertos ‘Porta Jazz’ e de Porto + não há ou a ou no Hot na Gest na Gulbenkian no CCB as salas ‘finas’ ou na rua?

AS – Toquei com os Ararur na Casa da Música no Festival Spring On em Maio. Já tivemos também em Abril dois concertos no Hot Clube de Portugal. Noutros anos fomos ao Festival do Quebra Jazz em Coimbra, Salão Brazil, Casa das Artes em Miranda do Corvo, Musibéria em Serpa. Gostaria muito de ir às outras grandes salas e festivais do país, veremos. Para já dia 4 de outubro estarei no Café Tati a divulgar o meu mais recente trabalho, fica o convite.

JD – especializado em públicos estrangeiros da Suécia à Moldávia acha que o público sabe jazz?

AS – Acho que há um público que gosta de descobrir novas músicas e diferentes e sabe que no jazz pode encontrar essa diferença, sabe que no jazz não vai ouvir sempre o mesmo padrão que tanto se ouve na rádio e músicas mais comerciais. Não é necessariamente um público que sabe jazz, é um público que gosta de música e faz um esforço para a ouvir em vez de a ter simplesmente a passar em background.

JD -  o balanço o swing faz parte do jazz de hoje?

AS – Percebo esta questão. Devo dizer que a música que faço na sua maioria não está escrita para ser tocada em swing, algo que também sucede muito no jazz europeu mais moderno. Mas ao mesmo tempo seria impossível fazer esta música e tocá-la sem o sentimento e drive do swing.

JD – jazz é Música negra norte-americana sim não ou nim?

AS – Jazz é um rótulo, e se quisermos ser precisos, este rótulo surgiu para designar uma música especifica, com origem numa zona e comunidade especifica. É importante ter esta consciência. Mas hoje em dia, com a globalização e aparecimento de tanta música com tantas influências seria impossível dar rótulos a tudo o que se faz. Isto leva a que a palavra Jazz tenha uma abrangência muito maior e não devemos levar isso a mal.

JD – obrigado pela oferta de seus CDs que estão na RTP em ‘CMJ’ e em jazzin’ e por estas suas falas

AS – Obrigado eu pelo interesse e por esta entrevista. Até breve.

https://www.antoniosilva.org/

 

 

 

 

 

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